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Vanessa Batista

 


VanessaVenho de uma familia muito católica e muito numerosa do interior de Minas Gerais. Minha mãe me ensinou a amar e venerar a Nossa Senhora e um momento marcante da minha infância foi quando a coroei no dia 13 de maio. Fiz parte do coral infantil da Igreja de Santana e depois do coral de um grupo de jovens chamado "ASA”. Os anos se passaram e depois que o nosso coral acabou e o padre da nossa paróquia foi para outra cidade eu me afastei da Igreja.

 

Com 16 anos conheci o meu esposo. Começamos a namorar e pouco depois já falávamos em casamento, mas éramos muito jovens e inconsequentes. Com um ano e meio de namoro eu engravidei do meu primeiro filho. Tive que abdicar dos meus sonhos de estudar e ter uma carreira profissional para ser mãe. Sentimos muito medo e passamos por várias dificuldades, mas sempre pedimos muita força a Deus. Diante de tantas tristezas resolvi voltar a frequentar a missa.

 

O dia do meu parto foi muito complicado, pois tive eclampsia e quase morri. Já havia passado o tempo do meu filho nascer e ele engoliu muita placenta e líquido amniótico. Pedi a intercessão de São Judas Tadeu, de quem sou devota, e ele me socorreu.
No dia 3 de junho 1994 eu e meu esposo nos casamos na mesma Igreja que eu frequentava quando criança. Em 1996 compramos o nosso apartamento e nossa vida foi melhorando. Poucos meses depois Deus nos concedeu a graça de ter mais um filho. Nossa felicidade estava completa e Deus cada dia fazia uma obra em nosos corações. Sempre fui dedicada e amorosa com meus filhos , educando-os segundo os princípios da Igreja de respeitar uns aos outros, amar o próximo, ser bons filhos e agradecer a Deus pela vida.

 

Em 1998 meu esposo foi transferido para Brasília. Estávamos ansiosos para mudar, mas ao mesmo tempo tristes, pois iríamos ficar longe das nossas famílias. Paramos novamente de freqüentar as missas e 4 meses depois da mudança meu filho Gabriel teve uma crise asmática devido ao clima seco da cidade. Ele teve que ser internado às pressas com pneumonia. Fiquei quase 15 dias no hospital sem conseguir dormir e nem mesmo ir em casa, pois ele gritava dia e noite de dor e não tínhamos amigos e nem familiares para nos ajudar em Brasília.

 

Um dia implorei a Deus que curasse o meu filho, pois eu não aguentava mais vê-lo sofrendo. No dia seguinte o médico disse que lhe daria alta, mas que eu teria que cuidar dele em casa da mesma forma que no hospital. Fomos embora em um sábado e eu já não aguentava mais de dor em meu corpo, só pensava em dormir um pouco.
No domingo pela manhã, o chefe do meu marido foi nos visitar e nos levar um pouco de conforto. Naquela noite, às 3h30 da madrugada, meu marido teve uma crise de arritmia cardíaca e foi sozinho para o hospital, pois eu tinha que permanecer com meu filho que ainda merecia cuidados.

 

Logo que chegou ao hospital foi examinado e rapidamente internado no CTI. Seus batimentos cardíacos estavam a 180 por minuto e as paredes do coração ficaram bem machucadas. Quando a enfermeira me ligou, o desespero tomou conta de mim. Eu gritava, chorava e pedia misericórdia a Deus, pois estava fraca e não sabia que atitude tomar. Naquele momento liguei para o chefe do meu marido e pedi-lhe que me ajudasse, pois estava longe da minha família e não tinha a quem recorrer.
Ele e sua esposa foram prontamente à minha casa. Ela ficou com os meus filhos e eu fui ao hospital. Encontrei meu marido intubado entrando no CTI. Eu estava de mãos atadas. Naquela hora Deus me falou: "filha, tenha calma. Depois da tempestade vem a bonança”. Mantive a calma e voltei para casa quase às 6 da manhã. Depois de 4 dias no CTI meu marido teve alta e começou a tomar remédio em casa. Ali a calmaria retornou às nossas vidas.

 

Dois anos depois eu engravidei da minha filha Giullia. Nossos parentes diziam que éramos doidos de ter mais um filha, mas ali eu sentia que minha família estava completa. Quando minha filha estava com dois anos nos mudamos para Manaus. Jamais vou esquecer a depressão que tomou conta de mim nos primeiros meses. Aquela mãe amorosa e cuidadosa já não existia. Tornei-me uma pessoa agressiva, não conversava com meu marido, agredia meus filhos por nada, não comia e ia ficando cada dia mais doente.

 

Um dia meu esposo saiu pelas ruas da cidade chorando e pedindo a Deus uma luz para que ele tomasse a decisão certa. Foi quando Deus lhe mostrou a imagem de uma santa e uma igrejinha em uma praça. Ele entrou na Igreja e estava acontecendo um louvor ao Santíssimo Sacramento. Ele se ajoelhou e agradeceu a Deus por aquele momento de unção. Correu para casa e nos levou àquela igreja .

 

Chegando lá, algo me puxava para a frente do altar, onde o Santíssimo estava exposto. Não entendi muito bem o que estava acontecendo, mas era algo maravilhoso, que jamais tinha visto na minha vida. O saudoso padre Léo estava fazendo uma pregação falando que nós somos levados a desistir da vida muito facilmente, mas que deveríamos louvar a Deus e agradecer pela vida e as maravilhas que Ele fez por nós.
Uma multidão de jovens da Canção Nova que estava nesta igreja louvava e clamava ao Santíssimo Sacramento a libertação dos males. Fiquei extasiada naquele momento. Meus filhos e meu marido me abraçaram, pois sabiam que eu poderia voltar a ser a mãe que eu era antes. Lembro-me que chorei compulsivamente, mas era um choro de alegria, pois Deus estava me curando. Deste dia em diante não deixei mais de frequentar as missas 11h com minha família.

 

Ao final de 2007 meu marido novamente recebeu um comunicado que teríamos que mudar para o Rio. Foi uma choradeira danada porque eu teria que deixar aquela igreja onde encontrei o que buscava desde a adolescência e não sabia onde poderia encontrar um lugar como aquele. No ultimo dia que eu fui à missa, orei diante do Santíssimo pedindo a Ele que me levasse diante dele sempre, independente de onde o meu marido fosse trabalhar.

 

Chegando em Niterói, fomos ver a praia de Icaraí. Ao nosso lado havia uma senhora sentada tomando água de coco e nós lhe perguntamos onde havia uma Igreja Católica com um grupo da Renovação Carismática. Ela nos disse que freqüentava a Igreja da Porciúncula e logo no primeiro domingo fomos à missa das 11h, como costumávamos fazer em Manaus.

 

Ao final da missa, foi feito um convite para participar de um seminário que aconteceria no grupo de oração Imaculada Conceição e eu comecei a frequentá-lo. Adorei todas as palestras e de cara já me identifiquei com o grupo. Quando chegava em casa, passava tudo o que eu havia aprendido, feliz da vida. Aos poucos fui me aproximando e conhecendo uma pessoa que cantava como um rouxinol, o Tomires. Seu cantar era algo que fascinava os nossos corações. As pregações da Angela me fascinavam cada dia mais. Comecei a me apaixonar pelo grupo, pelas pessoas que faziam parte dele, e já me sentia como parte da família. Este ano fiquei muito feliz por mais uma vez poder ajudar no tapete de Corpus Christi da comunidade. Neste dia eu e meu marido fomos comemorar os nossos 16 anos de casamento e fomos presenteados com a confecção da hóstia consagrada. Naquele momento fizemos mais um voto de amor e fidelidade diante de Cristo Ressuscitado.

 

Quero agradecer à Comunidade Eis o Cordeiro de Deus pelo carinho com que receberam a mim e à minha família. Cada dia que passa aprendo mais e mais com vocês: aprendi o verdadeiro valor da amizade, o valor da doação, o valor do perdão e o quanto tudo isso nos faz bem. Posso garantir que se eu e minha família tivermos que mudar mais uma vez os levarei sempre em meu coração.


Publicado no jornal Comunicando em outubro de 2010

 

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