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Douglas Esteves


Douglas e Mariana

Paz e Bem, meus irmãos. É com alegria que falo sobre meu matrimônio.


Antes de conhecer a Mariana, minha esposa, eu havia namorado por um longo tempo e sofri muito com o término do namoro. Foi um momento difícil de ser superado. Após a superação, eu continuei vivendo minha vida, saindo com meus amigos. Nessas saídas não via ninguém que me chamasse a atenção, todas as meninas tinham algo que me fazia perder o interesse.


Foi nessa época que conheci meu cunhado e, ao frequentar sua casa, conheci a Mariana. Começamos uma amizade simples e, com o tempo, fomos ganhando intimidade. Brincava com a “solteirice” dela, não sabia da realidade de vida dela como consagrada e, quando soube, não entendi. Para mim era uma coisa incomum. Até que, com a convivência, fui me apaixonando sem perceber, mas foi uma decisão difícil a tomar, pois sabia que o jeito que ela encararia o relacionamento seria diferente. Então tinha que ter certeza de que poderia dar certo. Até que decidi seguir meu coração e disse a ela o que sentia.


Esse foi um dos momentos mais engraçados da minha vida. Ouvi um não, mas era sim. Era ela tentando me explicar sobre o discernimento pedido aos membros da comunidade. Teria que esperar três meses pra conhecer melhor alguém que já conhecia, mas em um outro encontro ela me expôs como esse momento era necessário e importante pra ela e para o relacionamento. Isso não fazia sentido pra mim, mas ela me falava que era a vontade de Deus para nós. Eu não entendia, pois até então meu contato com a Igreja era pequeno. Eu tocava na missa uma vez por mês e só. Foi a primeira vez que submeti minha vontade a Deus e à comunidade Eis o Cordeiro de Deus, mas pela pouca noção do que eu sentia pela Mariana aceitei o fato. Esse foi meu primeiro contato com a comunidade, que nesse momento criou em mim certa resistência. Foi um período difícil, de estar perto, mas não muito perto. Era difícil para os dois, mas Deus nos deu a graça para vivermos essa espera.


Depois dos três meses iniciamos o namoro. Um namoro santo, em Deus. Ela era diferente no modo de agir, pensar, mas parecia ser o que eu procurava. Nesse momento tive um aprofundamento na minha religiosidade com a catequese e passei a frequentar mais as missas. Com mais ou menos seis meses de namoro, a pedi em casamento. Apesar de parecer rápido, foi a coisa mais natural pra mim.


O noivado foi um tempo de adaptação. Nesse período passamos a nos conhecer mais profundamente no dia-a-dia, na forma de pensar. Nem tudo foi fácil de aceitar ou conviver. Esse intensivo conhecimento precisou de uma mudança de mentalidade dos dois, afinal para sermos uma só carne era necessário renunciar às nossas escolhas pessoais. Foi muito importante um acompanhamento religioso com a Nilza, formadora geral da comunidade, em um período de muita oração. Eu ainda era muito imaturo em minha espiritualidade e custei a aceitar e entender muitas coisas, mas hoje é fácil de entender que Deus estava conosco e, na sua perfeição, tudo daria certo. Nesse período nossas famílias se conheceram e, já no primeiro encontro, houve um clima familiar que ajudou a nos dar tranquilidade até o dia do casamento.


O dia do casamento foi o dia que custou mais a passar e ao mesmo tempo passou tão rápido... Com certeza foi o dia mais feliz da minha vida e lembro-me de cada momento, sorriso e cumprimento, mesmo estando meio aéreo. No início, a vida a dois foi um pouco difícil, mas foi importante para solidificar nossa rocha. Ser uma só carne é um exercício diário que fazemos, pois a cada hora uma coisa nova aparece. Parece que é uma criança aprendendo, aos poucos, a andar. Por isso, é vital orar a todo instante e dialogar a cada desentendimento. Ter bons exemplos de casais na família e na comunidade nos ajuda e encoraja a prosseguir, mostrando que, com Deus, todas as tribulações são superáveis e nos fortalecem em nossa missão de santificar um ao outro.


Hoje, após minha conversão, olhando para trás e fazendo o caminho para a consagração dentro da comunidade, vejo a mão de Deus agindo e a intercessão de Nossa Senhora montando esse quebra-cabeça, que com as peças isoladas não teria sentido para nós. Tudo aconteceu no tempo certo. Vejo que Deus, ao separar e moldar uma jóia rara pra mim e quebrar as minhas resistências, mostra Sua perfeição e Seu amor por mim. É muito bom saber que estou dentro da vocação que Ele sonhou para mim.


Paz e Bem.




Publicado no jornal Comunicando em setembro de 2011


 

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