
Publicado no jornal Comunicando em março de 2011
No dia 22 de fevereiro a Santa Sé apresentou a mensagem do Papa Bento XVI para reflexão durante a quaresma. Este ano o tema é “Sepultados com Ele no batismo, foi
também com Ele que ressuscitastes”, baseado na passagem bíblica do livro de Colossenses, capítulo 2 versículo 12.
O Santo Padre sublinha a importância do tempo quaresmal para a Igreja e pede que seja vivido com o devido empenho. Ele recorda aos fiéis a vida nova em Cristo recebida no batismo, que nos torna participantes de sua morte e ressurreição e afirma que “O batismo não é um rito do passado, mas o encontro com Cristo que informa toda a existência do batizado, doa-lhe a vida divina e chama-o a uma conversão sincera, iniciada e apoiada pela Graça, que o leve a alcançar a estatura adulta de Cristo”.
Bento XVI observa que há um vínculo particular ligando o batismo à quaresma como “momento favorável para experimentar a graça que salva”. No batismo realiza-se o mistério pelo qual o homem morre para o pecado, participa da vida nova em Cristo ressuscitado e recebe o mesmo Espírito que o ressuscitou dos mortos.
O pontífice apresenta a Palavra de Deus como a forma mais adequada para o caminho de preparação para a maior festa do ano litúrgico. Ele comenta os textos evangélicos de cada domingo compreendendo-os como um guia para um encontro particularmente intenso com o Senhor. O primeiro, que relata o combate vitorioso do Cristo contra as tentações, é um convite a tomar consciência da fragilidade humana para acolher a graça divina que fortalece liberta do pecado e recorda que a fé cristã implica em uma luta contra o diabo, que insiste em tentar aqueles que buscam aproximar-se do Senhor. A vitória de Jesus “abre o nosso coração à esperança e guia-nos na vitória às seduções do mal”.
O Evangelho da transfiguração antecipa a ressurreição e anuncia a divinização do homem. Convida a “distanciar-se dos boatos da vida quotidiana para se imergir na presença de Deus”. Na semana seguinte, Jesus pede à samaritana que lhe dê de beber, exprimindo a paixão de Deus por todos os homens e suscitando no nosso coração o desejo do dom da “água que jorra para a vida eterna”, única que pode extinguir a sede do bem, da verdade e da beleza e “irrigar os desertos da alma inquieta e insatisfeita 'enquanto não repousar em Deus'”.
Na sequência, a cura do cego de nascença apresenta Cristo como luz do mundo. O milagre é o sinal que Cristo deseja “abrir nosso olhar interior para que a nossa fé se torne cada vez mais profunda”, pois é ele que “ilumina todas as obscuridades da vida e leva o homem a viver como 'filho da luz'”. Por fim, a ressurreição de Lázaro revela Jesus como “a ressurreição e a vida”. É o momento de colocar toda a esperança no Cristo e, em comunhão com Ele, superar o limite da morte para alcançar a vida eterna, que é o sentido último da nossa existência. Sem a luz da fé todo universo se fecha em um sepulcro sem esperança.
A caminhada quaresmal desemboca no Tríduo Pascal, em especial na Vigília na Noite Santa, na qual renovamos as promessas batismais reafirmando o senhorio de Cristo em nossa vida e reconfirmamos o compromisso em corresponder à ação do Espírito. A imersão na morte e ressurreição de Cristo pelo sacramento do batismo estimula a libertação do coração das coisas materiais e de um vínculo egoísta com a criação.
Sobre as práticas do jejum, da esmola e da oração, o Santo Padre afirma que educam para viver de modo cada vez mais radical o amor de Cristo. Para o cristão, o jejum ensina a superar o egoísmo e viver na lógica da doação e do amor, a desviar o olhar do nosso “eu” para reconhecer Deus nos rostos dos irmãos. A esmola, ou a prática da partilha, vence a tentação do ter, da avidez do dinheiro. É um chamado a colocar Deus em primeiro lugar e à atenção com o próximo. Quanto à oração, o pontífice reforça a importância da meditação e interiorização da Palavra de Deus para colocá-la em prática. É apresentada como o alimento para o caminho de fé iniciado no batismo e fornece uma nova concepção do tempo, com a perspectiva da eternidade e da transcendência.
Por fim, define o itinerário quaresmal em: conformar-se com a morte de Cristo para realizar uma conversão profunda, deixar-se transformar pela ação do Espírito Santo, orientar com decisão a existência segundo a vontade de Deus, libertar-se do egoísmo e abrir-se à caridade de Cristo. É o momento favorável para “reconhecer a nossa debilidade, acolher, com uma sincera revisão de vida, a graça renovadora do sacramento da penitência e caminhar com decisão para Cristo”.
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