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A Imaculada Conceição de Maria


Publicado no jornal Comunicando em dezembro de 2010

 

 

Imaculada Conceição

Após a criação do Homem e da Mulher, Deus entregou-lhes toda a terra para que dominassem sobre ela e usufruíssem de todas as coisas criadas. Deixou-lhes uma única recomendação: que não comessem do fruto de uma árvore que se encontrava no meio do Jardim do Éden para que não morressem. Deixando-se seduzir pela voz da serpente, a primeira mulher, Eva, provou justamente este fruto e o ofereceu ao primeiro homem, Adão, que o comeu igualmente. Esta história, encontrada no início da Sagrada Escritura, narra de maneira figurativa a primeira desobediência a Deus cometida pela humanidade, conhecida como o “pecado original”. Desde então todos os homens passaram a ser concebidos já com esta mancha, perderam o estado de santidade e justiça com que foram criados e ficaram submetidos ao poder da morte.

 

No entanto, antes de expulsar Adão e Eva do Paraíso, Deus declarou à serpente: “Porei ódio entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a dela. Esta te ferirá a cabeça e tu lhe ferirás o calcanhar” (Gn 3, 15). Nesta passagem encontra-se a profecia de que a serpente seria derrotada por uma mulher, uma nova Eva, que geraria descendentes livres da mancha do pecado imposta pela serpente aos primeiros homens e seus filhos. Esta mulher especial não estaria de maneira nenhuma sujeita ao pecado, mas seria pura, santa e imaculada para gerar uma descendência também livre de qualquer imperfeição.

 

Ao chegar a plenitude dos tempos, Deus enriqueceu Maria com seus dons e a plenificou com sua graça. Já em vista dos méritos de seu Filho, preservou-a da mácula do pecado original e concebeu-a “Imaculada”. O doutor da Igreja Santo Afonso Maria de Ligório afirma: “Maria tinha de ser medianeira de paz entre Deus e os homens. Logo, absolutamente não podia aparecer como pecadora e inimiga de Deus, mas só como Sua amiga, toda imaculada” E ainda: “Maria devia ser mulher forte, posta no mundo para vencer a Lúcifer e, portanto, devia permanecer sempre livre de toda mácula e de toda a sujeição ao inimigo”. Santo Anselmo, também doutor da Igreja, observa: “Deus, que pôde conceder a Eva a graça de vir ao mundo imaculada, não teria podido concedê-la também a Maria? “A Virgem, a quem Deus resolveu dar Seu Filho Único, tinha de brilhar numa pureza que ofuscasse a de todos os anjos e de todos os homens e fosse a maior imaginável abaixo de Deus”.

 

No dia 8 de dezembro de 1854 o Papa Pio IX proclamou solenemente o dogma da Imaculada Conceição de Maria. No entanto, há registros que afirmam esta verdade desde a época dos apóstolos. Em um esquema de liturgia de missa organizado por São Tiago Menor encontra-se o seguinte texto: "Fazemos memória de nossa Santíssima, Imaculada, e gloriosíssima Senhora Maria, Mãe de Deus e sempre Virgem" e após a consagração e umas preces, o celebrante diz: "Prestemos homenagem, principalmente, a Nossa Senhora, a Santíssima, Imaculada, abençoada acima de todas as criaturas, a gloriosíssima Mãe de Deus, sempre Virgem Maria”. Na ata do martírio de Santo André encontra-se a passagem na qual o apóstolo se dirige ao procônsul Egeu para expor-lhe a doutrina cristã com as seguintes palavras: "Tendo sido o primeiro homem formado de uma terra imaculada, era necessário que o homem perfeito nascesse de uma Virgem igualmente imaculada, para que o Filho de Deus, que antes formara o homem, reparasse a vida eterna que os homens tinham perdido".

 

No decorrer dos séculos vários santos e doutores da Igreja escreveram sobre a Imaculada Conceição de Maria. Até mesmo Martinho Lutero, responsável pela Reforma Protestante, afirmou a este respeito: "Era justo e conveniente, fosse a pessoa de Maria preservada do pecado original, visto o filho de Deus tomar dela a carne que devia vencer todo pecado". O povo cristão também já havia assumido a devoção a este título de Nossa Senhora. Um fato significativo foi a propagação de medalhas com a inscrição “Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós” após revelação concedida a Santa Catarina Labouré em 1830. A própria Nossa Senhora confirmou esta verdade em Lourdes na festa da Anunciação de 1858, pouco mais de três anos após a proclamação do dogma. Em uma das aparições a Santa Bernadete, esta perguntou-lhe o seu nome, ao que a Virgem respondeu: “Eu sou a Imaculada Conceição”.

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