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As padroeiras da América Latina




Nossa Senhora AparecidaOutubro é o mês das missões e o mês em que se comemora o título de Nossa Senhora Aparecida, a padroeira do Brasil. Toda a América Latina, graças aos missionários que a evangelizaram após o descobrimento, possui uma forte tradição católica e uma característica marcadamente mariana, como é possível notar nas devoções que se firmaram nos países que a compõem. Todos têm a Mãe de Deus como padroeira, sob diversos títulos e toda a região está sob a proteção da padroeira mexicana, Nossa Senhora de Guadalupe.


Algumas devoções foram herdadas diretamente da herança espiritual europeia, como é o caso do Chile, que adotou Nossa Senhora do Carmo como padroeira e da Dominica, que invoca a proteção de Nossa Senhora da Salete. É o caso também da Guatemala com Nossa Senhora do Rosário, da Guiana e do Suriname com Nossa Senhora de Fátima, do Panamá com Nossa Senhora da Assunção, do Peru, com Nossa Senhora das Mercês, do Haiti com Nossa Senhora do Perpétuo Socorro e de Porto Rico com Nossa Senhora Mãe da Divina Providência.


Nossa Senhora de GuadalupeOutras originaram-se de aparições ou visões, como a de Guadalupe, no México, onde a Mãe de Jesus aparece ao índio Juan Diego e lhe pede a construção de um templo na colina de Tepeyac, realizando prodígios para atestar a veracidade das aparições. A devoção à padroeira da Bolívia, Nossa Senhora de Copacabana, surgiu a partir da visão de um descendente inca desejoso de tirar seus irmãos do paganismo. O título de Nossa Senhora de Coromoto, padroeira da Venezuela, também é fruto de uma visão, desta vez de um cacique chamado Coromoto, que ouve a instrução da Virgem para receber o batismo e, mais tarde, recebe de suas mãos uma pedra ovalada na qual ela aparece em um trono com o filho no colo.


Em muitos casos os títulos surgiram por causa de fatos extraordinários ligados a alguma imagem de Maria, como aconteceu com os pescadores que, após várias tentativas frustadas, recolheram em suas redes o corpo e em seguida a cabeça de uma imagem da Imaculada Conceição. Após terem-na coletado conseguiram pesca abundante, iniciando a veneração a Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil. Outra imagem da Imaculada Conceição deu origem ao título de Nossa Senhora de Luján, padroeira da Argentina. Um rico fazendeiro a encomendou a um amigo brasileiro e quando o carro-de-boi que a carregava chegou às margens do rio Luján os bois empacaram e só voltaram a andar quando a estátua foi retirada do carro. Levaram-na então para a fazenda mais próxima onde foi construída uma capela e mais tarde a basílica de Nossa Senhora de Luján. A imagem da padroeira da Costa Rica foi encontrada em um bosque por uma jovem que a levou para casa e guardou em um cofre. Por vários dias a imagem sumiu do cofre e reapareceu no mesmo local, onde construíram-lhe uma capela e deram-lhe o nome de Virgem dos Anjos por ter aparecido no "barrio de la puebla de los angeles". A padroeira de Cuba, Nossa Senhora da Caridade do Cobre é uma imagem da Virgem que foi encontrada seca boiando em alto mar e tinha gravado em seu pedestal a frase "Eu sou a Virgem da Caridade". Ainda há o caso da padroeira de Honduras, encontrada por um jovem em um dia que saiu mais tarde do trabalho e teve que dormir na relva. Sentiu-se incomodado por um objeto e lançou-o longe. Pouco depois sentiu novamente o mesmo incômodo, mas desta vez guardou o objeto na mochila. Ao chegar em casa sua mãe descobriu que era uma imagem da Imaculada Conceição e a partir dali começou a devoção a Nossa Senhora da Conceição de Suyapa. Em El Salvador alguns mercadores encontraram uma caixa de madeira na praia que não conseguiram abrir. Resolveram levá-la às autoridades, mas quando chegaram em frente à igreja paroquial da Vila de São Miguel o burrico que carregava a caixa empacou. Decidiram abrir ali mesmo a caixa e encontraram uma linda imagem da Virgem. A notícia correu por todo o país, que estava em guerra. Tocados pelo fato, os habitantes depuseram as armas e encerraram a guerra fratricida que estava em curso. Com isso a imagem ganhou o nome de Nossa Senhora da Paz e tornou-se padroeira de El Salvador.


Nossa Senhora de LujánHá também devoções que surgiram a partir de pinturas, como o quadro encomendado por um rico proprietário de terras que após 12 anos exposto ao público estava se deteriorando e foi retirado do altar. Uma devota levou-o para casa e um dia em que estava orando a imagem reapareceu límpida e bela, dando origem ao título de Nossa Senhora de Chiquinquirá, padroeira da Colômbia. Já a padroeira da República Dominicana surgiu a partir do pedido da filha de um rico senhor de terras que partia para uma viagem. Ela pediu-lhe que trouxesse uma imagem de Nossa Senhora de Altagrácia, mas ninguém conhecia tal título da Virgem. O pai comentou com um amigo a respeito de seu desapontamento por não poder atender ao pedido da filha e um velhinho que ouvia a conversa entregou-lhe uma pintura que garantiu ser a Virgem de Altagrácia.


Outros casos não apresentam fatos extraordinários, mas são devoções que surgiram a partir da cultura local ou adquiriram novos contornos. A padroeira do Equador, Nossa Senhora da Apresentação de El Quinche, é uma imagem feita por um artista espanhol que foi recebida por índios em troca de madeiras da região. Colocaram-na em uma gruta e ali passaram a venerá-la. A devoção à padroeira da Nicarágua, Nossa Senhora la Puríssima tem origem nas medalhinhas que um explorador espanhol costumava distribuir para os índios, que passaram a recorrer à Virgem em suas necessidades e a destacar de maneira especial a pureza de Maria. Nossa Senhora de Sipária, padroeira de Trinidad e Tobago, deriva de uma imagem de Nossa Senhora Divina Pastora que, segundo a tradição, teria sido trazida à América por Cristóvão Colombo. Já a padroeira do Uruguai, Nossa Senhora dos Trinta e Três, está relacionada à independência deste país, pois antes da última batalha decisiva, 33 soldados vindos do Brasil desfilaram diante do altar da Virgem renovando o juramento de “Liberdade ou Morte”. Por fim, a padroeira do Paraguai, Nossa Senhora do Caacupê, que foi esculpida por um índio que ao ser perseguido, prometeu que faria uma imagem da Virgem com o tronco que o protegia de seus perseguidores caso fosse salvo.


Podemos ver o quanto a Mãe de Deus está presente na vida e na história de seus filhos latinoamericanos e como estende seu manto protetor sobre esta região. Desde o descobrimento até os dias de hoje a Virgem manifesta sua bondade e seu carinho materno das mais diversas formas a índios, negros, brancos e mestiços que compõem esta região tão cheia de contradições, mas que possui uma grande devoção e confiança em sua Senhora.

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