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Virginia Contino Torres Vasquez


Publicado no jornal Comunicando em maio de 2010


Virgínia Contino Torres Vasquez é consagrada da comunidade de aliança, completará 16 anos de casada este ano e tem 4 filhos – João Pedro (15 anos), Luiz Felipe (12 anos), Paulo José (6 anos) e André Lucas (4 anos). É fonoaudióloga e possui uma clínica chamada Espaço CEL (Corpo e Linguagem), onde realiza junto a uma equipe interdisciplinar um trabalho com pessoas que têm dificuldades de aprendizagem e diversos transtornos.

Quando você começou a freqüentar o Grupo de Oração Imaculada Conceição?


Eu sempre fui católica praticante. Fui batizada, fiz primeira comunhão, crisma, encontro de adolescentes e de jovens e casei na Porciúncula. Frequentei um grupo em Itaipu, que deu origem à comunidade Santos Anjos. Mais tarde frequentei o grupo Louva a Deus, mas depois que casei me afastei um pouco e fiquei só indo à missa dominical. Pouco depois aconteceu um incidente e eu tive um processo de depressão com um pouco de síndrome do pânico. Foi quando a minha irmã me levou pro grupo de oração que ela frequentava, o Imaculada Conceição. E ali teve todo um processo de cura, de libertação desse momento difícil que eu vivi e tudo começou a mudar na minha vida. Na época eu já estava casada e meu primeiro filho tinha por volta de 9 meses.


Fale um pouco sobre como é viver essa confiança de aceitar o plano de Deus para sua vida em relação ao número de filhos, na contramão do que o mundo prega de ter poucos filhos para dedicar-se mais aos próprios interesses?


Eu e meu esposo Wilber sempre vivemos essa realidade. Nunca usei nenhum método contraceptivo, sempre usamos o método Billings e os filhos vieram de acordo com o plano de Deus. Nós sempre conversamos sobre isso e confiamos que Deus iria providenciar, mesmo em situações muito difíceis que vivemos. E Deus sempre deu prova desse amor dele por nós, sempre veio em nosso auxílio nos momentos que Ele achava que deveria vir. Nós confiávamos, Deus fazia e ainda tem feito. Deu uma virada na minha vida profissional e na do Wilber também. Uma coisa que sempre digo é que hoje com quatro filhos temos uma condição financeira muito melhor do que quando tínhamos apenas um. Hoje, pela graça de Deus podemos prover o que é necessário a eles. Não em excesso, mas de uma forma equilibrada o que é de direito: escola, roupa, comida, lazer e alguma atividade extra que seja necessária. Sempre fomos muito gratos a Deus por isso. E sempre que eu começo a pensar em fraquejar o Senhor coloca no meu coração o salmo “O Senhor é meu pastor e nada me faltará”. Para mim essa é a música que conduz a minha vida.


E como você consegue conciliar as responsabilidades e atividades de esposa, mãe, consagrada e profissional?

Vejo como a graça de Deus. É uma luta árdua, pois caminhar em Deus exige sacrifício, mas um sacrifício por amor. Nunca reclamei de ter 4 filhos, de jeito nenhum. Acho meus filhos maravilhosos, lindos, amo ter a minha família, conduzir a luta, o sacrifício... Confesso que é corrido, tenho que multiplicar o tempo: orações, missa diária, trabalho, casa e compromissos da comunidade. E ao chegar em casa ainda ver os deveres das crianças, agenda, o que eles precisam levar, ver prova de um, trabalho de outro... Mas eu sempre procuro administrar isso. Acontecem falhas porque sou humana em busca da santidade. Às vezes perco a paciência, fico muito cansada, mas Nossa Senhora sempre me ajuda na condução com as crianças em situações que percebo não estarem bem. Também peço que ela me guie na minha forma de agir com eles e ela sempre me dá as dicas certinhas.


A relação entre eles é boa? Os mais velhos ajudam a cuidar dos mais novos? Sentem ciúmes?


Eles ajudam a cuidar sim. Muitas vezes eu e o Wilber temos necessidade de sair antes de a empregada chegar ou quando a empregada vai embora e nós ainda não chegamos, eles ficam com os menores e procuram manter a calma. Quando nós estamos em casa aí eles liberam mais as energias físicas, principalmente porque são quatro meninos e menino é mais movimentado e agitado mesmo. Sobre os ciúmes é praticamente uma escala: o mais velho tem do segundo, o segundo tem do terceiro e o terceiro tem do quarto. E o quarto quer comandar todos eles. É menorzinho, mas ele tem os meios dele de sobrevivência (risos). Mas essa administração do ciúme é difícil, porque a criança sempre acha que está perdendo espaço, que o outro veio para tomar o lugar dela. Mas eles ao mesmo tempo que brigam, se amam e são carinhosos uns com os outros, e apesar de terem um monte de irmãos, pedem mais.


Como as pessoas em geral reagem ao saber que vocês têm 4 filhos?


Sempre me chamam de corajosa e “guerreira”, e realmente eu me vejo dessa forma. Porém, é Deus que me dá essa coragem. Vêm as tribulações, as situações difíceis dentro da própria casa, da caminhada, da busca, da luta pela santidade dentro da família e eu não me deixo abater.


E de que forma você os conduz a crescer espiritualmente mesmo diante da realidade que eles vivem de se relacionarem com pessoas que não têm os mesmos ideais?


No mundo de hoje, falar em santidade é algo surreal, porém conversamos sempre com eles sobre o céu e oramos para discernir a vontade de Deus em relação a escola, festas, campeonatos de futebol, etc. Eles sabem que os amigos “ficam” com um monte de gente, mas eles não vivem isso. Eles saem, vão pra festas, mas a gente instrui sempre sobre essa realidade da santidade.


Qual você considera o momento mais emocionante para uma mãe?


O momento mais maravilhoso pra mim é quando você vê o rostinho do bebê pela primeira vez e ele parece que te reconhece. É o momento mais sublime. Eu queria ter muitos outros filhos para reviver essa sensação maravilhosa que é ver um filho pela primeira vez. Não tem momento mais belo, é maravilhoso.


Como você definiria a maternidade?


Para mim, ser mãe é uma vocação que exige renúncia, assim como todas as outras. Tem a renúncia do sono, porque acorda muito à noite e muitas vezes tem que se privar de algumas coisas para suprir as necessidades dos filhos, então você está renunciando o tempo todo. Às vezes é um chocolate que você está comendo, o seu filho pede e você acaba cedendo, ou abrindo mão daquilo que você faria para você ou deixando de comprar alguma coisa que quer para comprar algo para o filho. Eu não vejo isso como uma privação, mas como uma vocação. Se você estiver disposto a ter filhos, tem que abrir mão de muitas coisas, a começar pelo seu tempo. É uma luta, mas vale a pena. Eu não me arrependo de nada, nada mesmo e confio em Deus plenamente para me auxiliar nesta vocação: ser mãe.






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