
Publicado no jornal Comunicando em maio de 2009
Rosimar dos Santos Barros de Souza trabalha há 28 anos como assistente administrativa em um laboratório farmacêutico, é casada há 21 anos, tem 2 filho,s de 14 e 16 anos, e cuida de uma sobrinha de 19. Frequenta o grupo de oração Imaculada Conceição desde 1997 e é consagrada à comunidade desde 2001. Seu marido consagrou-se à comunidade em 2008 Neste mês especialmente dedicado às mães, Rosimar partilha sobre a graça da maternidade com os leitores:
É difícil conciliar a vida de profissional, esposa, mãe e consagrada?
É difícil, mas não é impossível. Quando o Senhor me chamou à consagração eu já era profissional, esposa e mãe. Então o Senhor foi me dando a graça de cumprir cada etapa da minha vida, organizando e conciliando os meus horários. Se eu fosse olhar hoje com os olhos do mundo eu jamais conseguiria dar conta de tudo isso, mas a graça de Deus assiste àqueles que Ele escolhe e você consegue cumprir todas as etapas da sua vida à qual Ele chamou.
Atualmente seu marido também é consagrado, mas como foi o começo da caminhada?
O começo da caminhada foi muito difícil. Quando comecei a frequentar o grupo de oração na Porciúncula o meu marido não gostava. Ele não admitia que eu saísse de noite para ir ao grupo de oração porque tinha muito ciúme, achava que eu ia encontrar com alguém. Uma vez respondi a ele que ia encontrar com alguém que me amava muito mais do que ele, que era Jesus. Depois, diante das diversas tribulações que estávamos passando, ele começou a caminhar no grupo de oração e hoje é um consagrado.
Quais foram as dificuldades que você enfrentou na criação dos filhos?
A dificuldade maior que senti foi para conciliar o trabalho, a rotina do dia a dia, de levar pro colégio, ajudar a fazer o exercício de aula, dar banho e essas coisas todas, mas em relação à educação eu não senti dificuldade. Quando casei, tinha medo de não conseguir educar meus filhos porque na época eu já ouvia filhos dizendo desaforos pros pais e brigas dentro do lar. Mas hoje eu vejo que foi o próprio Jesus que educou os meus filhos.
Quando você engravidou teve medo de não conseguir ser uma boa mãe?
Sim porque eu vi muitas pessoas falarem que quando alguém tem filhos não consegue mais sair de casa porque filho prende muito, não consegue dormir de noite porque criança chora a noite toda e outras coisas. Só que eu não tive nada disso. Minhas crianças nasceram super bem e desde bebês sempre dormiram a noite toda. O trabalho que deram é o trabalho realmente que a criança dá quando bebê: febre, dor de garganta, dor de ouvido, que é a coisa natural do ser humano, qualquer pessoa passa por isso. Hoje eu posso dizer que vale a pena ser mãe.
E hoje como você lida com questões que afetam os jovens como drogas, sexualidade, amizades...?
É muito difícil porque eles vivem no mundo que não professa a mesma fé que a gente, com várias espiritualidades e pessoas que não seguem nada. No colégio e até na própria Igreja a vivência espiritual do jovem está muito fraca. Eu tenho sempre que ficar vigiando e conversando para direcioná-los ao caminho certo. Falo sobre namoro, por exemplo, que é coisa de muita responsabilidade, que não é só encontrar alguém, beijar e acabou, porque no namoro você tem que ter responsabilidade e maturidade. Não é conhecer alguém e ficar, como os jovens de hoje.
Você sente que a mentalidade do mundo influencia muito os seus filhos?
Influencia porque eles chegam em casa questionando. Eles veem que o pessoal está fazendo certas coisas e querem fazer também. Mas eles conhecem o que é errado e o que é certo, porque quando eu questiono pra eles se isso é vontade de Deus para a vida deles eles mesmos respondem que não. E quando eles fazem alguma coisa que eu vejo que é errado, eu pego a Bíblia, vou lá naquele pedaço e leio com eles, mostrando o que está escrito na palavra de Deus.
Como você orienta seus filhos em relação à vocação profissional e estado de vida?
Eu estou deixando meus filhos decidirem o que eles querem para eles. No caso de vocação profissional um está pensando em fazer faculdade de informática, mas ainda está no segundo ano do ensino médio. Eu sempre coloco para ele fazer em tudo a vontade de Deus, seja aonde for.
Você lembra de alguma mudança que tenha acontecido na sua família a partir da comunidade?
Teve várias situações que mudaram a vida da nossa família. A conversão do meu marido já foi uma grande coisa, porque se ele não tivesse dado esse passo seria mais difícil para mim caminhar. Se eu não estivesse dentro de uma comunidade a gente não seria uma família porque as famílias de hoje estão totalmente desestruturadas.
Você teria alguma sugestão para ajudar às mães que se encontram receosas diante da missão da maternidade?
Eu diria para as mães que elas precisam estar no caminho do Senhor, porque fora do caminho do Senhor a gente não consegue ir muito longe. Hoje em dia temos que dizer muito “não” porque o mundo está muito liberal. O mundo diz “sim” para tudo e a gente como mãe tem que dizer muito “não”. Muitas vezes dói o coração, mas é para o bem que a gente diz o não. Às vezes eles ficam chateados, mas é para que eles sejam felizes amanhã ou depois.
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