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Padre Márcio Tadeu Reiberti Alves de Camargo

Publicado no jornal Comunicando em fevereiro de 2012


Padre Márcio

O Padre Márcio Tadeu Reiberti Alves de Camargo nasceu na capital paulista, foi batizado no Rio de Janeiro e recebeu a ordenação sacerdotal em fevereiro de 2009 na Diocese de São José do Rio Preto (SP). Ele esteve na comunidade Eis o Cordeiro de Deus pela primeira vez em outubro de 2011 para a consagração da Edinalva Santos, sua amiga de infância. Neste mês ele conta um pouco sobre sua caminhada e a peregrinação que está organizando junto com a nossa comunidade:


O que atraiu o senhor para o sacerdócio?


Primeiro, a possibilidade de ver as pessoas serem restauradas pela Graça de Deus. Sempre me fascinou muito na figura do padre a possibilidade dele dar uma nova perspectiva, uma nova visão às pessoas, ou seja, anunciar a vontade de Deus. E, também, minha paixão pela Celebração Eucarística.


E como o senhor começou a caminhada para a ordenação?


Desde pequeno eu tinha vontade de ser padre. Em 2000, cursava Engenharia Civil na Unesp de Ilha Solteira, uma faculdade pública no interior de São Paulo. E, nesse ano houve duas greves que deram a oportunidade de dedicar-me totalmente ao trabalho de Deus. Chegou um momento em que pedi um sinal, pois sempre tive muitas dúvidas e precisava de grandes sinais. Fui a um encontro de jovens universitários e ali recebi um sinal diante de quase três mil pessoas. A partir daí, dei oportunidade para que Deus trabalhasse a minha vocação, larguei a universidade e um namoro de dois anos e meio e, naquele semestre mesmo, comecei uma primeira experiência com os Dehonianos.


E como foi essa experiência?


Eu fui para o Maranhão fazer uma experiência numa casa missionária. Lá participei de uma evangelização chamada “desobriga”. Era uma viagem a pé, saía pela manhã às comunidades onde não havia padres e ficavam distantes de capelas preparando o povo para a primeira Eucaristia, para o Batismo, para o Matrimônio, e o padre vinha à noite e realizava uma missa e a “desobriga” dos sacramentos. Em 2001 eu voltei para Taubaté e em 2002 comecei o curso de filosofia já na Diocese de São José do Rio Preto, onde então minha família morava.


O senhor teve alguma experiência com Deus que considere como um divisor de águas na sua vida?


Sim, foi a primeira experiência de oração. Eu sempre fui um menino bom, ia à Igreja, mas para mim um divisor de águas foi quando comecei a frequentar um grupo de oração. Aos 10 anos fiz o seminário de vida no Espírito e, em seguida, a experiência de oração. Lá houve um momento em que alguém proclamou que “Deus estava plantando uma semente no coração de um jovem” e a partir disso comecei a participar ativamente do grupo de oração. Com 13 anos eu já pregava nos chamados “dias de louvor”.


O que o senhor considera como um crescimento proporcionado pela sua ordenação?


A ordem é um sacramento de muita renúncia, mas de muita alegria, como tudo que vem de Deus. Eu cresci muito nesses três anos de padre, principalmente tentando compreender que o tempo de Deus é um tempo bastante diferente do nosso, ou daquele que a gente estuda na teologia, pois é puro Kairós, pura Graça. Deus me deu como padre a oportunidade e a ciência de me conhecer melhor através dos irmãos que eu dirijo e encaminho como pastor, ao mesmo tempo de reforçar de maneira amorosa minha autocrítica, de sofrer menos com o tempo Dele e amar mais. Tornei-me, não por minhas forças, mas pela benevolência de Deus um padre “docemente exigente” nas coisas de Deus, como sempre me afirma um dirigido espiritual.


Além da filosofia e da teologia o senhor possui outros estudos?


Eu sou especialista em Bioética pela Cátedra de Bioética da Unesco e estou iniciando agora um outro processo de formação na área dos comitês de ética em pesquisa. Trata-se de um trabalho que comecei quando ainda estudava o terceiro ano de Filosofia no Seminário.


O que te levou a ir por esse caminho?


Não foi por vontade própria, mas por obediência ao bispo, na ocasião Dom Orani, hoje arcebispo de Rio de Janeiro. A história é que não havia ninguém que pudesse representar a Igreja em um encontro numa universidade e ele pediu que eu fosse representá-la. Dali em diante foram nascendo convites que me encaminharam para esse projeto de trabalhar com bioética, então não foi uma escolha que eu fiz. Na verdade, nunca fiz grandes escolhas, eu sempre fui lendo os sinais e seguindo os perfumes que Deus deixava ao longo do caminho da minha vida. Não posso falar que sou um apaixonado por bioética, mas sei que é um caminho necessário. Hoje eu sou uma voz da Igreja ouvida, tenho alguns artigos científicos publicados. Eu até gosto muito de comunicação social, faço um programa semanal numa TV local e um programa na Rádio Canção Nova... Preferia ter ido para este campo, mas até para combater minha vaidade Deus me enviou para o silêncio das academias.


Como o senhor imaginava a comunidade antes de conhecê-la e como a vê hoje?


Eu não sou um homem de grandes expectativas, mas quando cheguei na comunidade evidentemente tinha uma impressão, que sempre foi das melhores. E, sem dúvidas, superei minha impressão pelo amor, pela caridade, pelos gestos, pela acolhida... Acho que uma das coisas mais importantes que o povo de Deus é chamado a prestar atenção no Antigo Testamento é o acolhimento. Então na comunidade “Eis o Cordeiro de Deus” me senti muito acolhido, me senti em casa e não é em todo lugar que a gente se sente assim.






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