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Frei Vilmar Alves da Silva, ofm


Publicado no jornal Comunicando em março de 2010




Frei VilmarFrei Vilmar Alves da Silva nasceu em Lajes, Santa Catarina e ingressou na Ordem dos Frades Menores em 1982. Fez sua profissão solene em 1987 e foi ordenado sacerdote em 1989. É formado em psicologia com especialização em terapia familar e de casal. No dia 30 de janeiro tomou posse como pároco e guardião da Igreja Porciúncula de Sant'Ana, em Icaraí, onde é realizado o grupo de oração Imaculada Conceição. Abaixo, ele conta um pouco sobre sua experiência de vida e as primeiras impressões diante da sua nova missão.


Como o senhor sentiu o chamado à vida franciscana?


Isso aí é interessante porque eu fui coroinha e a partir daí comecei a pensar em ser um padre. Naquela época fazíamos encontros de jovens muito bons e a eu fui amadurecendo isso. Até que um dia eu fui visitar um amigo no hospital e vi um franciscano de hábito. Aquilo me chamou a atenção e eu procurei os franciscanos e fui me informar a respeito de quem era Francisco. Tomando maiores conhecimentos fui decidindo pelo ser franciscano.


E para o senhor, quem é São Francisco?


São Francisco é nada mais nada menos que o homem do século. Embora a gente viva hoje em pleno século XXI, São Francisco ainda cativa bastante as pessoas. O ideal franciscano, o amor franciscano de pobreza, de desprendimento ainda hoje atrai para si pessoas.


Fale um pouco da sua experiência no seminário e após a ordenação.


Eu fiz o seminário menor em Agudos, São Paulo. Terminando, eu fiz o noviciado em Rodeios, Santa Catarina. Foi uma experiência totalmente voltada para os estudos franciscanos, afastado do mundo e da família por um ano. No final desse ano eu recebi o hábito franciscano. Fui pra Rondinha, no Paraná, fazer filosofia e depois vim para Petrópolis estudar teologia. Trabalhei 2 anos em Duque de Caxias como seminarista. Terminando os estudos de teologia eu fui trabalhar no seminário como professor e fiquei lá depois de ordenado. Morei praticamente 5 anos em Agudos - 3 anos como estudante e 2 como professor, como orientador. Aí eu pedi para fazer um curso a mais, mas os superiores acharam que eu devia fazer uma experiência de paróquia. Então fui para Curitibanos, Santa Catarina, uma cidade de aproximadamente 40 mil habitantes, e fiquei lá 4 anos trabalhando numa paróquia com praticamente 40 comunidades. Tinha comunidade que a gente rezava a missa uma vez a cada dois meses. Depois me mandaram para Bauru, São Paulo, onde eu fiz o curso de psicologia na Universidade Sagrado Coração de Jesus durante um período de quase 7 anos. Terminei a psicologia e me transferiram para Sorocaba, onde passei 6 anos e fiz especialização em terapia familiar e casal pela PUC-SP. Agora me mandaram para a Porciúncula e aqui estou eu.


Houve alguma dificuldade em conciliar a psicologia com a teologia?


Pelo contrário, acho que uma auxilia a outra. Tanto a filosofia como a teologia e a psicologia auxiliam muito. Eu procurei fazer a psicologia para suprir algumas necessidades de atendimento, de conhecer melhor o ser humano. Tanto é que eu fiz especialização na área de terapia familiar e casal para compreender mais a família. Há uma ligação muito grande, uma auxilia a outra. Eu vejo que na minha formação a busca da psicologia foi muito importante porque veio a completar muitas coisas e sobretudo a compreender o ser humano na sua totalidade.


Como o Senhor considera possível viver o carisma franciscano hoje em dia?


Eu diria para você que é possível sim com toda tranqüilidade a partir do momento que a pessoa tenha total desprendimento, despojamento, da vida, do mundo, das pessoas... e sobretudo entrega-se ao amor de Deus, ou seja, é aquilo que a Campanha da Fraternidade hoje coloca: “Rasgai o coração”. Eu acho que tranquilamente dá pra viver a vida franciscana hoje mesmo diante dos desafios, que são muitos.


Qual seria o principal desafio?


O maior desafio hoje é a secularidade do mundo. Nesse aspecto o religioso pode ser esquecido, porque o que importa é o individualismo. As pessoas não estão muito preocupadas com o ser franciscano, estão mais preocupadas com as aparências, com o luxo, a ganância... Eu diria que é um desafio grandioso, mas não impossível, pelo contrário. A questão humana, o relacionamento amoroso, o relacionamento com a família, o deixar tudo e seguir... tem que ter um total despojamento. Acredito que esse seja o maior desafio, deixar tudo e seguir.


Faz pouco tempo que o senhor chegou aqui, mas já tem alguma característica que o senhor considere marcante que seja diferente aqui e em Sorocaba?


Sim, Sorocaba tem poucos voluntários e aqui há muitos. Sorocaba durante a semana tinha 2, 3 missas, aqui são 3 por dia. Então o trabalho aqui é bem mais intenso, os desafios também parecem maiores. Aqui é uma paróquia bem franciscana, com OFS, JUFRA, Jovens, trabalho do SEFRAS, plantão paroquial... Tem todo um esquema muito interessante que o frei Salésio deixou.


O senhor além de pároco é guardião também. Qual a função do guardião?


O guardião é aquele que vai zelar pela casa, pelos frades e fazer com que a comunidade possa viver buscando o carisma franciscano, buscando atender as necessidades do povo. O guardião é aquele que está ali para, junto com a comunidade, fazer as coisas acontecerem e responder pela província aqui nessa paróquia diante da mitra, diante da Igreja.


Como o senhor veria a Campanha da Fraternidade deste ano sob uma ótica franciscana?


Hoje somos pessoas consumistas e acabamos às vezes esquecendo o essencial da vida que é Deus, a busca de Deus e usufruir da melhor maneira possível os dons que Deus dá pra nós, até o próprio dinheiro. São Francisco diria com toda certeza que é uma campanha perfeita e justamente o buscar a Deus, servir a Deus, como o próprio Jesus Cristo diz “Eu não vim para ser servido, mas para servir e dar a vida pela causa do reino de Deus”.



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