
Publicado no jornal Comunicando em junho de 2011

O que significa a aprovação canônica para a comunidade Eis o Cordeiro de Deus?
É uma graça imensa, porque nós sabemos que tudo o que é ligado na terra é ligado no céu, é como uma assinatura de Deus embaixo do carisma que nos propomos a viver. Nós, que já seguíamos a comunidade tínhamos a certeza de que ela vinha de Deus, mas a autorização da Igreja é a autorização do céu, então as bênçãos aumentaram, as graças também. A comunidade é como uma criança que vai crescendo, crescendo e de repente se dá conta de que já pode correr. Veja, a partir de agora é possível fazer a consagração definitiva ao carisma e isto é excelente.
Como foi esse processo da aprovação canônica?
A nossa primeira aprovação, o "ad sperimentum", foi Dom Carlos Alberto que deu, em princípio por três anos. Após esse período fui a Dom Alano e lembro que na época ele perguntou se eu não queria pedir a aprovação definitiva. Eu lhe respondi que preferia esperar 10 anos porque a cada dia Deus vai abrindo um pouco do carisma e com menos tempo não teria condições de escrever o estatuto canônico. As comunidades mais antigas dizem que até os 10 anos a barca se movimenta muito, muitos entram e saem, mas depois a comunidade começa a adquirir maturidade. Quando completaram-se os 10 anos comecei a sentir no coração como uma moção forte do Espírito de que eu deveria escrever o estatuto. Senti muita dificuldade, pois passar para o papel aquilo que é entendido em Deus é muito complicado. Eu enrolei o ano passado todo até que em um dado momento Deus usou o Tomires para me dar uma palavra de sabedoria. Ele disse que eu estava sendo muito repetitiva e deveria resumir mais. Então percebi que o medo de não passar corretamente aquilo que eu entendia do céu para o carisma fazia com que eu desgastasse toda a minha energia rodando para contar uma coisa pequena, usando palavras demais para aquilo que poderia ser simples. Então a partir dali eu rasguei tudo e comecei tudo de novo de forma bem objetiva.
A aprovação foi recebida no dia de Nossa Senhora de Fátima e tem várias outras datas importantes para a comunidade que são também datas em que se comemoram títulos de Nossa Senhora. Você pode falar sobre a assistência de Nossa Senhora na história da comunidade?
Tenho toda uma assistência particular de Nossa Senhora na minha vida e, consequentemente, em toda a comunidade. Mamãe sempre foi muito mariana e quando estava grávida de mim me consagrava sempre a Nossa Senhora Aparecida ao ouvir a oração do Angelus às 18h na rádio Aparecida. Acabei nascendo às 18h, por isso ela me botou o nome de Angela Maria, por ser o horário do Angelus. Certa vez ela contou que quando eu tinha dois ou três anos eu sumi e ela me encontrou na beira de um precipício catando flores do campo para levar a Nossa Senhora, isso denota que desde pequena sou apaixonada pela Virgem.
Muitas crianças gostam de colecionar muitas coisas e eu sempre procurei colecionar as imagens com os vários títulos de Nossa Senhora, procurando conhecer e entender o que se relacionava com aqueles títulos. É interessante que quando nasceu a comunidade isso passou a ser um marco. Não que eu tenha criado isso, mas as coisas começaram a acontecer sempre de acordo com algum de seus títulos. É muito interessante porque até a primeira aprovação nossa foi assinada em 15 de setembro, que é dia de Nossa Senhora das Dores e eu recebi em 19 de setembro, que é dia de Nossa Senhora da Salete. Antes teve a compra do terreno, que foi no dia de Nossa Senhora do Carmo, o registro da Associação Civil e Religiosa da Misericórdia no dia de Nossa Senhora Rainha dos Anjos e a nossa vida é toda permeada por vários outros títulos.
Hoje eu entendo que todos os acontecimentos da comunidade vêm pelas mãos de Maria por ser ela a medianeira de todas as graças. Para nós isto é algo muito concreto, pois é a verdadeira imagem. Tudo vem pela mediação da Virgem Maria com vários títulos, como a aprovação definitiva do estatuto veio pelo título de Nossa Senhora de Fátima. Isto para mim, particularmente, foi o máximo.
Junto com a aprovação canônica você fez a sua profissão definitiva e os votos de virgindade consagrada. Qual a importância para você destas duas realidades?
Quando nasceu a comunidade Jesus colocou muito claro pra mim que me pediria três coisas: Que eu aceitasse ser comunidade, ser celibatária e que vivesse em comunidade de vida. Agora aconteceram as três coisas que Deus me pediu: a aprovação da comunidade, esse sim a Deus com a consagração definitiva ao carisma e também o sim como virgem consagrada ao carisma. Veja bem, os três “sim” que Ele havia me pedido há 11 anos atrás aconteceram justamente no dia de Nossa Senhora de Fátima. É profético, porque Fátima para nós tem tudo a ver com o nosso carisma, não só pela primeira visualização que eu tive sobre a comunidade ter sido com Nossa Senhora de Fátima, o Cordeiro e São José, mas também toda a reparação, intercessão e adoração pedida por Nossa Senhora nesta aparição. Veja, ser neste dia foi inédito pra mim, não dá para expressar o que senti, eu estava no auge do encantamento porque Deus é muito presente na nossa vida e eu senti o céu ali junto de nós. A alegria de Dom Roberto era contagiante, as palavras dele tocaram não só o coração da comunidade, mas todo o povo. Foi maravilhoso, não poderia ter sido melhor.
E a partir disso o que mudou na sua vida e o que mudou na comunidade?
Antes da aprovação o Senhor sempre me deu aquela passagem belíssima de Isaías 9. Desde quando nasceu a comunidade Ele falava dessa luz forte que iluminou, do jugo que era quebrado porque o menino nos foi dado. No momento que foi chegando o dia da aprovação definitiva Ele veio esclarecer para mim que a nossa palavra no Evangelho é o capítulo 1 do Evangelho de João, onde fala sobre o Verbo Divino. Todo o capítulo 1 é o que temos que vivenciar como carisma, essa luz que veio, mas que foi rejeitada e os que a acolheram se tornaram filhos de Deus. Especialmente na parte que diz assim: “O Verbo se fez carne e habitou entre nós”. Então no momento em que houve essa aprovação o Verbo se fez carne e habitou no nosso meio. É algo esplêndido, porque nós não nascemos, como diz na Palavra, da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas nascemos por uma vontade única de Deus. É como se houvesse na comunidade o Antigo Testamento que é o prenúncio do novo, que é Is 9, essa luz forte que iluminou e o menino que era dado e que a concretização vem com a aprovação canônica. Talvez eu não consiga passar aquilo que eu entendo, mas parecia que era algo abstrato que depois passa a ser algo muito concreto, porque o “sim” da Igreja, uma assinatura de um bispo da Igreja, é algo muito concreto.
O que mais te tocou na missa presidida por Dom Roberto?
Tudo tocou. Foi um momento de paraíso na Terra. Claro que o ápice foi o momento da comunhão, da Eucaristia, que é tudo, ainda mais para nós que somos Cordeiro. Mas acho que já começou antes, eu vi o carinho de Nossa Senhora também nisso. Toda a Casa São José foi enfeitada com as cores branca e dourada devido a Nossa Senhora de Fátima e com orquídeas a pedido dela. E eu achei lindo o carinho, o amor com que tudo foi preparado. As pessoas iam pro Santíssimo e rezavam para ver como deveria ser cada coisa. A parte litúrgica, a música, a comida, você via o empenho de cada um com todo amor, com todo carinho, tudo foi visto em oração. E no dia foi o ápice, porque estava tudo muito preparado para aquele momento. Na hora que Dom Roberto impôs as mãos sobre mim no ato da consagração definitiva e dos votos de virgindade consagrada parecia que eu ia cair, tamanha a força do Espírito naquele momento. Eu sentia a força, o poder do Espírito através daquele apóstolo de Jesus que estava ali. Foi algo esplêndido! O momento da homilia também, porque eu acho que Dom Roberto naquele momento botava todo o coração ali e tocou a todo mundo. Para mim foi um momento de paraíso mesmo.
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