
Publicado no jornal Comunicando em outubro de 2011
“Conhecereis a Verdade e a Verdade vos libertará” (Jo 8,32). Com esta frase Jesus revela o poder libertador da Verdade, princípio tão simples e necessário, mas cada vez menos vivido pelos homens. Durante o julgamento de Cristo, Pilatos lhe perguntou: “O que é a Verdade?” (cf. Jo 18, 38). Cristo já havia respondido a esta pergunta quando, em seu discurso de despedida, disse a Tomé: “Eu sou o caminho a verdade e a vida; ninguém vai ao Pai senão por mim”(cf Jo 14, 6), ou seja, apenas a Verdade conduz a Deus.
Bento XVI, em sua encíclica “Caritas in Veritate” (Caridade na Verdade) afirma que “defender a verdade, propô-la com humildade e convicção e testemunhá-la na vida são formas exigentes e imprescindíveis de caridade. Esta, de fato, se rejubila com a verdade (cf.1 Cor 13, 6). (...) amor e verdade nunca desaparecem de todo nos homens, porque são a vocação colocada por Deus no coração e na mente de cada um”. Ou seja, o homem tende naturalmente à verdade e é impelido por sua própria natureza a buscá-la (cf. CIC 2467).
Muitas vezes a verdade é desprezada em favor de vantagens pessoais ou desejos egoístas, motivados por preguiça, ganância, soberba, ira e outros pecados. O desrespeito a qualquer dos 10 mandamentos e a queda em qualquer dos pecados capitais podem ser associados à mentira, pois mancham a verdadeira imagem do homem criada por Deus. É muito fácil perceber que todos os pecados geram mentiras, seja o culto a falsos deuses, seja a traição a um esposo ou esposa, seja o uso de um objeto ou propriedade que pertence a outra pessoa, entre inúmeros outros exemplos que poderiam ser citados. Já dizia o salmista: “Desprezais os que se apartam de vossas leis, porque mentirosos são seus pensamentos” (Sl 118, 118).
Não à toa Jesus deixa clara a origem da mentira e a quem se assemelham os mentirosos: “Vós tendes como pai o demônio e quereis fazer os desejos de vosso pai. Ele era homicida desde o princípio e não permaneceu na verdade, porque a verdade não está nele. Quando diz a mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira” (Jo 8, 44). Por outro lado, afirma que “É para dar testemunho da verdade que nasci e vim ao mundo. Todo o que é da verdade ouve a minha voz” (Jo 18, 37).
Algumas vezes a mentira pode ser vista como um pecado menor ou um mal necessário. No entanto, o Catecismo da Igreja Católica afirma categoricamente que as ofensas à verdade são “infidelidades graves para com Deus” (cf. CIC 2464) e ainda que “a mentira é, por sua natureza, condenável” (cf. CIC 2485). A incoerência entre palavras e ações, a desonestidade, a duplicidade de coração, a simulação e a hipocrisia estão incluídas neste grupo de atitudes condenáveis, especialmente entre aqueles que têm a obrigação moral de servir como exemplo por uma consagração especial a Deus, como afirma São João em sua primeira carta: “Se dizemos ter comunhão com Ele, mas andamos nas trevas, mentimos e não seguimos a verdade” (1 Jo 1,6).
Busquemos, pois, as virtudes da franqueza, da sinceridade e da honestidade e peçamos a Deus que afaste de nós toda duplicidade, falsidade e mentira. Sejamos como aquele que “caminha na justiça, diz a verdade e não engana o semelhante” (Is 33, 15) e desta forma nos tornaremos filhos do Deus altíssimo que nos será favorável e nos preservará de todo o mal.
Aluisio
Peixoto, consagrado
Comunidade de Aliança e Vida Eis o Cordeiro de Deus - Travessa Azamor de Perni, 261 Fonseca - Niterói - RJ
Tel.: 2625-3378 - e-mail: eisocordeiro@gmail.com