
Publicado no jornal Comunicando em março de 2011
Continuando a série de artigos sobre a oração do Credo, neste mês refletiremos sobre a concepção de Jesus no seio
de Virgem Maria. Quando o Arcanjo Gabriel anunciou a Nossa Senhora que ela seria a mãe de Jesus, a Virgem perguntou-lhe como isto aconteceria, uma vez que não tinha
relações íntimas com nenhum homem. Ele respondeu-lhe: “O Espírito Santo descerá sobre ti, e a força do Altíssimo te envolverá com a sua sombra” (Lc 1, 35). A missão
do Espírito Santo está sempre vinculada à do Filho, pois é enviado para fecundar o ventre de Maria fazendo que ela conceba o Filho Eterno do Pai em uma humanidade
proveniente da sua. Desta forma, desde sua concepção o Cristo é ungido pelo Espírito Santo.
Para ser a mãe do Salvador, Maria foi enriquecida por Deus com dons dignos para tal função. Por este motivo, a Igreja tomou consciência de que ela foi redimida desde a concepção, ou seja, foi concebida sem o pecado original e pela graça de Deus manteve-se livre de qualquer pecado durante toda a sua vida. Ela tornou-se então a Mãe de Deus, uma vez que gerou em seu ventre um filho que contém as duas naturezas: a humana e a divina.
Os Evangelhos entendem a virgindade de Maria como uma obra que ultrapassa toda compreensão humana e atesta o caráter miraculoso do mistério da encarnação do Verbo. A Igreja confessa a virgindade perpétua de Maria, ou seja, que ela permaneceu virgem antes, durante e depois do parto. Este mistério mostra que Jesus tem apenas um Pai natural, que é Deus, e que Ele dá início à nova criação. Se o primeiro homem foi tirado da terra, o Novo Adão vem diretamente do céu e assim inaugura o novo nascimento dos homens não mais pela vontade da carne ou do sangue, mas pelo Espírito Santo.
São Tomás de Aquino, doutor da Igreja, afirma que “o Filho unigênito de Deus, querendo-nos participantes da sua divindade, assumiu a nossa natureza, para que, aquele que se fez homem, dos homens fizesse deuses”. É importante ter claro que Jesus não é apenas uma parte Deus e outra parte homem ou uma mistura de humanidade e divindade, mas é plenamente Deus sendo plenamente homem. A natureza humana de Cristo pertence à sua pessoa divina, que a assumiu. Desta forma, tanto na alma quanto no corpo Jesus exprime humanamente os modos divinos de agir da Trindade, como Ele deixa claro ao responder ao apóstolo Filipe quando este lhe pede para mostrar o Pai: “Aquele que me viu, viu também o Pai. Crede-me: estou no Pai e o Pai em mim” (Jo 14, 9b.11a).
Por ter assumido uma alma racional humana, o conhecimento do Filho de Deus não podia ser ilimitado, mas estava sujeito às condições históricas espaciais e temporais nas quais Ele estava inserido. Por isso o Evangelho de São Lucas afirma que Jesus crescia em “estatura, sabedoria e graça” (Lc 2, 52), pois faz parte da condição humana aprender as coisas de maneira experimental e o Cristo, ao rebaixar-se à condição de “escravo” (cf Fl 2, 7), assumiu esta limitação. Por outro lado, como estava plenamente unido à Sabedoria divina, tinha o conhecimento íntimo e direto do Pai e penetrava os pensamentos secretos dos homens, além de gozar em plenitude da ciência dos desígnios eternos que viera revelar.
Aluisio
Peixoto, consagrado
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