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O culto ao "deus" do prazer

Publicado no jornal Comunicando em fevereiro de 2011



Máscara de carnaval e silhuetas sensuais

O mundo contemporâneo gira em torno do prazer. A televisão insiste em apresentar programas com apelo sexual, a internet oferece farto material pornográfico, as músicas de sucesso incentivam comportamentos promíscuos, os artistas exibem seus corpos despudoradamente e ditam o comportamento de boa parte da sociedade, inclusive das crianças.


Enquanto muitos pais acham “bonitinho” ver suas filhas vestindo minissaias, shorts, tops e repetindo danças sensuais, estimulam uma sexualização precoce e ensinam valores deturpados que as levarão a buscar o prazer a qualquer preço como única fonte de alegria possível. O mesmo vale para aqueles que apresentam material pornográfico aos seus filhos crendo com isso afirmar sua virilidade.


Na televisão as novelas propõem como espelho da sociedade um modelo de comportamento no qual o divórcio, a traição e as relações casuais são comuns e até mesmo os vilões se tornam “queridinhos” do público. Os programas de auditório exibem dançarinas seminuas e quadros com diálogos maliciosos, os noticiários fazem concurso para eleger as melhores passistas mirins já com os trajes (ou melhor, a falta deles) típicos do carnaval. Sem falar nos reality shows que expõem as misérias humanas da forma mais crua, onde várias pessoas ficam enjauladas como animais em busca de fama, dinheiro e prazer por meio de mentiras, dissimulações, assédios morais e rasteiras nos concorrentes.


Esta mentalidade contemporânea refletiu-se nas últimas eleições, nas quais algumas das grandes polêmicas levantadas durante a campanha consistiram na defesa do aborto e da união civil entre pessoas do mesmo sexo, frutos diretos de um pensamento que coloca o prazer individual acima de tudo, mesmo da vida humana.
A castidade parece uma meta impossível de ser alcançada e aqueles que a propõem são vistos com desconfiança e ceticismo. Para o mundo atual é inconcebível que existam pessoas com este ideal, seja na fidelidade ao matrimônio, seja vivendo o celibato. Ter uma vida sexual ativa desde a adolescência parece ser condição indispensável para alcançar a felicidade e a realização pessoal. Aqueles que fogem a esta regra e se fazem “eunucos por causa do Reino” (cf Mt 19, 11-12) são considerados loucos ou frustrados e muitos acabam não resistindo às tentações.


No entanto, a Palavra de Deus deixa claro que “nem os impuros, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os devassos, nem os ladrões, nem os avarentos, nem os bêbados, nem os difamadores, nem os assaltantes hão de possuir o Reino de Deus” (I Cor 6, 9-10). Diz também que “Quanto à fornicação, à impureza, sob qualquer forma, ou à avareza, que disto nem se faça menção entre vós, como convém a santos. Nada de obscenidades, de conversas tolas ou levianas, porque tais coisas não convêm; em vez disso ações de graças. Porque sabei-o bem: nenhum dissoluto ou impuro, ou avarento – verdadeiros idólatras! – terá herança no Reino de Cristo e de Deus. E ninguém vos seduza com vãos discursos. Estes são os pecados que atraem a ira de Deus sobre os rebeldes. Não vos comprometais com eles” (Ef 5, 3-7).


São Paulo deixa bem claro que aqueles que cultuam ao “deus do prazer” não receberão como herança o Reino de Deus, reservado aos “puros de coração”, segundo as palavras de Jesus (cf Mt 5, 8). Ele ainda insiste que tais atos, além de não serem praticados, sequer devem ser mencionados em conversas frívolas e com duplo sentido. E faz um alerta para que os cristãos não se deixem seduzir por discursos vãos, exortando-os a não se comprometerem com estes pecados.


E agora aproxima-se o carnaval, a grande festa de culto ao “deus” do prazer. São os dias nos quais a busca do prazer atinge o ponto máximo, nos quais são suspensos os últimos resquícios morais e tudo passa a ser permitido. É a festa dos excessos: drogas, bebidas, sexo desordenado, exibições de corpos, danças e fantasias em busca de uma felicidade ilusória com data para acabar.  A busca do prazer pelo prazer gera uma insatisfação contínua, uma necessidade cada vez maior de alimentar os vícios e deixar-se dominar pelos instintos mais primitivos, que atentam contra a dignidade humana. Os outros são vistos como meros objetos para obter-se uma satisfação egoísta e passageira que deixará como resultado um grande vazio e uma tristeza sem fim.


Certamente não faltarão convites e vozes sedutoras neste período sugerindo diversas práticas para obtenção de prazeres fáceis e descompromissados. No entanto é necessário ser forte, não apenas nestes dias, mas durante o ano todo para resistir às tentações e viver o prazer dentro daquilo que foi pensado por Deus desde o início da criação. É preciso buscar as coisas do alto e não as da Terra (cf Cl 3, 1-2), fortalecer-se em oração para calar as serpentes que tentam convencer que os pecados podem trazer mais alegria e satisfação que o cumprimento da vontade de Deus. Somente a busca pela santidade e o testemunho de vida casta podem derrubar este ídolo que está tentando dominar o mundo e mostrar que a alegria obtida com a vivência da pureza é muito mais real e duradoura que qualquer satisfação momentânea que os prazeres mundanos podem oferecer.




Aluisio Peixoto, consagrado



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