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Creio na ressurreição da carne

Publicado no jornal Comunicando em novembro de 2011


ressurreição dos mortos

O Credo cristão termina com a proclamação da ressurreição dos mortos no fim dos tempos e da vida eterna. Nós cremos que, como Cristo ressuscitou, também os justos viverão para sempre depois da morte e serão ressuscitados por Ele no último dia. A palavra “carne” designa o homem na sua condição de fraqueza e mortalidade e a palavra “ressurreição” significa que não apenas a nossa alma participará da vida eterna, mas nossos corpos também retornarão à vida. Crer na ressurreição dos mortos foi, desde o princípio, um elemento essencial da fé cristã.


São Paulo na carta aos Coríntios compara este corpo atual a uma semente, que precisa morrer para recobrar a vida. “Semeado na corrupção o corpo ressuscita incorruptível; semeado corpo animal, ressuscita corpo espiritual, pois se há um corpo animal também há um espiritual. Assim como reproduzimos as feições do homem terreno, precisamos reproduzir as feições do homem celestial. O que afirmo, irmãos, é que nem a carne, nem o sangue podem participar do Reino de Deus e que a corrupção não participará da incorruptibilidade. Eis que vos revelo um mistério: nem todos morreremos, mas todos seremos transformados” (I Cor 15, 42.44.49-51). E também São João em sua primeira carta afirma: “Caríssimos, desde agora somos filhos de Deus, mas não se manifestou ainda o que havemos de ser. Sabemos que, quando isto se manifestar, seremos semelhantes a Deus, porquanto o veremos como ele é” (I Jo 3, 2).


A ressurreição dos mortos foi revelada progressivamente por Deus ao seu povo. A esperança na ressurreição corporal impôs-se como consequência da fé em um Deus criador do homem todo, alma e corpo. Jesus liga a fé na ressurreição à sua própria pessoa ao dizer “Eu sou a Ressurreição e a Vida” (Jo 11,25), pois Ele mesmo irá ressuscitar os que tiverem acreditado nele.


A ressurreição consistirá na união da alma com o corpo que tiverem sido separados pela morte. No entanto, o corpo que se unirá à alma será um corpo glorificado, incorruptível. Todos os homens que tiverem morrido ressuscitarão, os que tiverem praticado o bem para a glória eterna e os que tiverem praticado o mal para a condenação eterna. Isso acontecerá no último dia, quando Cristo vier definitivamente em sua glória.


Por meio do batismo, os crentes unem-se a Cristo e já participam da vida celeste do Cristo ressuscitado. No entanto, esta vida ainda está escondida com Cristo em Deus. À espera do dia da ressurreição final o corpo e a alma já participam na dignidade de ser “em Cristo” e por isso é necessário haver respeito para com o próprio corpo e para com os corpos dos outros, pois nossos corpos são membros de Cristo.


A morte entrou no mundo por causa do pecado, mas para aqueles que morrem na graça de Cristo ela torna-se uma participação na morte do Senhor para poderem participar da sua ressurreição. A consciência de que a morte é inevitável serve para lembrarmos que temos um tempo limitado para realizar a nossa vida e que devemos aproveitar este tempo para praticar o bem, de acordo com os ensinamentos do Senhor.


Originalmente o homem estava destinado a não sofrer a morte corporal, que entrou no mundo como consequência do pecado original. Ela é, portanto, o último inimigo do homem a ter que ser vencido, o que aconteceu em Cristo na sua ressurreição e acontecerá para todos os homens no dia do juízo final. A submissão total de Jesus à vontade do Pai aceitando morrer na cruz transformou em bênção a maldição da morte. Graças a Ele a morte adquiriu um sentido positivo, pois se morrermos na graça de Cristo, nossa morte física completará a nossa união com Deus em seu ato redentor, iniciada no batismo, quando morremos sacramentalmente para viver uma vida nova.


“A morte é o fim da peregrinação terrena do homem, do tempo de graça e misericórdia que Deus lhe oferece para realizar sua vida terrena segundo o plano divino e para decidir o seu destino último” (CIC 1013). Quando acaba a vida sobre a terra não se volta a outras vidas terrenas, pois “Os homens morrem uma só vez” (Hb 9, 27), portanto, não existe reencarnação. Por isso é necessário estarmos sempre preparados e comportar-nos como se fôssemos morrer hoje, pois se estivermos em paz com nossas consciências não teremos receio da morte.



Aluisio Peixoto, consagrado



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