
Publicado no jornal Comunicando em outubro de 2011

A expressão “comunhão dos santos” tem dois significados: “comunhão nas coisas santas” e “comunhão entre as pessoas santas”. A Igreja é a comunhão de todos os santos e, como os crentes formam um só corpo, o bem de uns é comunicado aos outros. Cristo é o membro mais importante, a cabeça, e por isso seu bem é comunicado a todos os outros por meio dos sacramentos.
Desde a comunidade primitiva em Jerusalém, os cristãos colocavam tudo em comum. A Igreja é chamada a viver a comunhão na fé recebida dos apóstolos, nos sacramentos (especialmente na Eucaristia), nos carismas pela distribuição de dons realizada pelo Espírito Santo entre os fiéis para a edificação da Igreja e nos bens materiais que devem ser utilizados para socorrer os que necessitem. Por fim, a viver a comunhão na caridade, já que cada ato realizado com amor reverte-se em proveito de todos.
A comunhão dos santos une os três estados da Igreja: militante (homens e mulheres que peregrinam nesta terra), padecente (almas em purificação no purgatório) e gloriosa (os santos que já se encontram no céu). Todos de alguma maneira e em algum grau comungam no mesmo amor de Deus e do próximo e juntos louvam e glorificam a Deus em um único e grande louvor. Portanto, a união entre os vivos e os falecidos não é interrompida, mas pela comunicação dos bens espirituais é reforçada.
Por estarem mais intimamente unidos com Cristo, aqueles que já encontram-se na glória de Deus consolidam mais firmemente a Igreja na santidade. Eles intercedem continuamente apresentando os méritos alcançados durante sua vida terrena a Jesus em favor da Igreja militante, ajudando-a grandemente em sua fraqueza. Os santos não são venerados apenas por seu exemplo de vida, mas principalmente para que a união de toda Igreja no Espírito aumente com o exercício da caridade fraterna por meio da sua intercessão. A Igreja também venera a memória dos falecidos e incentiva a oração por eles, pois muitos precisam passar por um estágio de purificação após a morte para pagarem as penas devidas por seus pecados. Desta forma, ao completarem este processo e reunirem-se aos santos na glória de Deus sua oração torna-se mais eficaz em favor da Igreja militante.
Dentre os santos destaca-se de maneira especial a Virgem Maria, Mãe de Cristo e Mãe da Igreja. Embora seja um culto inteiramente singular, é totalmente diferente do culto de adoração prestado à Santíssima Trindade, pois por meio de Nossa Senhora a Igreja é levada a adorar ao Senhor pelas maravilhas realizadas nela e pelos cuidados que a ela confiou. Por ter sido concebida isenta do pecado original, Maria foi elevada ao céu de corpo e alma, tornando-se assim imagem e início da Igreja que se consumará no futuro, após a ressurreição da carne, e brilha na terra como sinal de segura esperança e consolação para o povo peregrino.

Ligada à fé no Espírito Santo, na Igreja Católica e na comunhão dos santos está a fé na remissão dos pecados. Ao soprar o Espírito Santo sobre os Apóstolos, o Cristo ressuscitado transmitiu-lhes o poder divino de perdoar os pecados (cf. Jo 20, 22-23). Este perdão está ligado à fé e ao batismo, pois Jesus afirmou: “Quem crer e for batizado será salvo” (Mc 16, 16). Quando se recebe o batismo, o perdão que ele concede é tão pleno e total que apaga o pecado original, as faltas cometidas voluntariamente por ação ou omissão e todas as penas devidas por eles.
No entanto, a inclinação para praticar o mal permanece nos batizados, portanto o batismo não poderia ser o único meio de conceder o perdão. Por este motivo há o sacramento da penitência ou reconciliação, instrumento confiado por Deus à Igreja para perdoar os pecados dos seus filhos até mesmo no último dia de suas vidas. Não há nenhuma falta, por mais grave que seja, que a Igreja não possa perdoar através do poder recebido de Cristo, que confiou-lhe “as chaves do Reino dos Céus”. Este poder concedido aos sacerdotes nem mesmo os anjos e arcanjos receberam.
A esperança certa do perdão deve ser proposta até ao mais pecador dos homens, desde que se arrependa de seus erros e se proponha a não mais cometê-los, pois Cristo quer que na Igreja as portas do perdão estejam sempre abertas a todo que se afastar do pecado. Se não houvesse a remissão dos pecados não haveria nenhuma esperança de vida eterna, mas graças ao sacrifício redentor de Cristo e a este poder concedido por Ele à Igreja os homens podem reconciliar-se com Deus e alcançar o Paraíso.
Aluisio
Peixoto, consagrado
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