
Publicado no jornal Comunicando em janeiro de 2011

Entre o final de um ano civil e o início do outro, a Igreja propõe uma série de reflexões a respeito da encarnação do Verbo. Desde o tempo litúrgico do advento até a solenidade da Epifania do Senhor os fiéis são convidados a contemplar o mistério do nascimento de Jesus e a sua manifestação a todos os povos.
Neste contexto, a figura de Maria santíssima é fundamental e há duas festas importantíssimas relacionadas à Virgem que são celebradas também neste período: as solenidades da “Imaculada Conceição”, no dia 8 de dezembro e a de “Maria, Mãe de Deus”, no dia 1 de janeiro. A primeira honra a Maria como aquela que foi preparada por Deus para entregar seu Filho à humanidade e por isso foi preservada de qualquer tipo de pecado desde sua concepção no ventre materno. A segunda a venera justamente por ter sido a escolhida do Pai para conceber e formar a segunda pessoa da Santíssima Trindade e ter dito o seu “sim” a esta missão.
Hoje em dia Jesus se faz presente na Terra por meio da Sagrada Eucaristia, sacramento que confiou aos seus apóstolos e sucessores, garantindo sua presença real junto aos homens em corpo, sangue, alma e divindade. Muitas igrejas possuem sacrários onde ficam depositadas as hóstias consagradas e em muitos lugares o Santíssimo Sacramento é exposto para adoração em um objeto litúrgico chamado de “ostensório” ou “custódia”. A reflexão sobre o papel de Nossa Senhora na história da salvação permite traçar um paralelo com a realidade atual.
Quando Maria disse “sim” a Deus e aceitou concebê-lo por obra do Espírito Santo tornou-se um sacrário vivo, carregando em seu ventre o Verbo feito carne. Ao “partir apressadamente para a região da Judéia” para visitar sua parenta Isabel, a Virgem realizou a primeira procissão de Corpus Christi, levando a outras pessoas a presença real do Cristo, que então habitava em seu seio. Após o nascimento, Maria tornou-se o ostensório que apresentou aos homens o Deus-menino envolvido em seus braços.
Como pela graça de Deus os sacerdotes trazem o Cristo à Terra na consagração do pão e do vinho, Maria trouxe Jesus por sua entrega total e tornou seu próprio corpo o templo santo onde Ele quis habitar. Ela é certamente a jóia mais preciosa e bela aos olhos de Deus para adornar seu Filho, enfeitada com todas as virtudes que o Espírito Santo, que já a habitava plenamente, lhe concedeu. E continua hoje expondo seu Filho aos homens e apresentando-o como o Pão da Vida.
Aluisio Peixoto, consagrado
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