
Publicado no jornal Comunicando em julho de 2011

A ascensão de Cristo aos céus significa que ele agora participa como homem do poder e autoridade do próprio Deus e possui todo o poder nos céus e na terra. Sendo Senhor, também é a cabeça da Igreja , que é o seu corpo e presença na terra. A renovação do mundo já foi irrevogavelmente adquirida e encontra-se de alguma maneira antecipada neste tempo, pois já aqui na Terra a Igreja possui uma santidade verdadeira, embora ainda imperfeita.
No entanto, o Reino de Cristo ainda não está acabado "em poder e glória", mas continua sendo atacado pelos poderes do mal, apesar de estes já terem sido vencidos pela Páscoa do Cristo. Enquanto não acontece a submissão plena de tudo ao Cristo, a Igreja peregrina vive no meio das criaturas que esperam a manifestação dos filhos de Deus. Por isso os cristãos oram, especialmente na Eucaristia, suplicando que o Senhor apresse sua volta.
Antes da ascensão, Cristo afirmou que ainda não era a hora do estabelecimento glorioso do Reino messiânico, que segundo os profetas devia trazer a todos os homens a ordem definitiva da justiça do amor e da paz. O tempo presente ainda é marcado pela desolação e pela provação do mal, que não poupa a Igreja e inaugura os combates dos últimos dias, um tempo de espera e vigília.
A partir da ascensão, a vinda de Cristo na glória está iminente, embora não se saiba quando acontecerá. A vinda do Messias está vinculada ao seu reconhecimento por parte dos judeus, que são os primeiros destinatários da promessa. A entrada da totalidade dos judeus na salvação messiânica se seguirá à conversão total dos pagãos e dará ao povo de Deus a ocasião de realizar a plenitude do Cristo.
Antes da segunda vinda de Jesus, a Igreja deverá passar por uma prova final que abalará a fé de muitos. A perseguição à Igreja porá a descoberto o "mistério da iniquidade", que trará aos homens uma aparente solução para os seus problemas à custa de negarem a Verdade. O homem então se autoglorificará, usurpando o lugar de Deus. Esta impostura já se esboça no mundo sempre que se pretende realizar na história a esperança messiânica, quando na realidade ela só pode consumar-se através da segunda vinda de Jesus. A consumação do Reino não se dará por um triunfo histórico da Igreja, mas por uma vitória de Deus sobre o último desencadear do mal, o chamado Juízo Final.
Neste dia serão revelados os segredos dos corações e as atitudes tomadas para com o próximo revelarão a aceitação ou a recusa da graça e do amor divino. Somente Cristo possui o pleno direito de julgar as obras e os corações dos homens, pois adquiriu este direito por sua morte na cruz para redimir o mundo. No entanto, Ele não veio para julgar, mas para salvar e entregar a sua vida. Na realidade cada um julga a si mesmo quando recusa a graça divina do Espírito de amor.
Aluisio
Peixoto, consagrado
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