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...desceu à mansão dos mortos,
ressuscitou ao terceiro dia...

Publicado no jornal Comunicando em maio de 2011


Jesus na mansão dos mortos

No período compreendido entre a morte de Jesus e a sua ressurreição, ele foi ao local denominado "mansão dos mortos" ou "morada dos mortos", onde todos os seres humanos que morreram antes d'Ele encontravam-se privados da visão de Deus. Isto equivale a dizer que Jesus experimentou a morte como todos os demais seres humanos, com a separação do seu corpo da sua alma. Foi até lá como Salvador para proclamar a Boa Nova a todos que estavam ali aprisionados aguardando a Redenção. Esta descida de Jesus à "mansão dos mortos" é o cumprimento até a plenitude do anúncio evangélico da salvação. Jesus foi libertar os justos que o haviam precedido e anunciar-lhes a Boa Nova. Embora tenha durado pouco tempo, tem um vasto significado, pois demonstra que a obra redentora se estende a todos os homens de todos os tempos e lugares. Desta forma, Jesus destruiu o poder da morte e do diabo e libertou os que se encontravam cativos.


Após a visita à mansão dos mortos Jesus ressuscitou. Este fato é o ponto culminante da história da redenção da humanidade, pois a ressurreição sela a vitória sobre a morte, que entrou no mundo em consequência do pecado dos primeiros pais. A descoberta do túmulo vazio foi o primeiro passo para o reconhecimento do milagre da ressurreição. Em seguida as diversas aparições de Jesus em primeiro lugar às santas mulheres e depois a Pedro e aos demais apóstolos comprovam incontestavelmente a veracidade da ressurreição.


No Antigo testamento há relatos de ressurreições realizadas pela intercessão dos profetas Elias (1Rs 17,17-24) e Eliseu (2Rs 4,18-37). O próprio Jesus operou a ressurreição de Lázaro (Jo 11,1-44), da filha de Jairo (Lc 8,40-56) e do filho da viúva de Naim (Lc 7,11-17). No entanto, a ressurreição de Jesus vai além destes outros milagres, pois todos os que retornaram à vida depois voltaram a morrer. A ressurreição de Jesus é a passagem de um estado de morte para outra vida, além do tempo e do espaço, com seu corpo glorioso, livre da corrupção.


As três pessoas da Santíssima Trindade atuam juntas no mistério da ressurreição do Cristo. O Pai ressuscita o filho pela obra do Espírito Santo, que vivificou a humanidade morta de Jesus e a chamou ao estado glorioso, introduzindo de modo perfeito sua humanidade na Trindade. São Gregório de Nissa afirmou a respeito da ressurreição: "Pela unidade da natureza divina, que permanece em cada uma das partes do homem (corpo e alma), estas se unem novamente. Assim, a Morte se produz pela separação do composto humano, e a Ressurreição, pela união das duas partes separadas". Desta forma, o Filho opera a própria ressurreição, como Ele mesmo havia afirmado "Eu dou a minha vida para retomá-la... Tenho poder de dá-la e poder para retomá-la" (Jo 10, 17-18).


A ressurreição é a confirmação de tudo o que Cristo fez e ensinou. É a prova definitiva de sua divindade e o cumprimento das promessas do Antigo Testamento e do próprio Jesus durante sua vida terrestre. Ela está estreitamente ligada ao mistério da Encarnação do Filho de Deus, de acordo com seu desígnio eterno. O mistério pascal tem um duplo aspecto: por sua morte Jesus nos liberta do pecado e por sua Ressurreição Ele nos abre as portas de uma nova vida, ou seja, a justificação pela cruz nos restitui a graça de Deus e a ressurreição concede uma vida nova. Por fim, a ressurreição do Cristo sinaliza a ressurreição futura de todos os homens que acontecerá quando Jesus voltar em sua glória no fim dos tempos.


Aluisio Peixoto, consagrado



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