
Publicado no jornal Comunicando em agosto de 2011

A palavra “Espírito” traduz o termo hebraico “Ruah”, que significa “sopro”, “ar”, “vento” e foi por meio desta imagem que Jesus apresentou a terceira pessoa da Santíssima Trindade a Nicodemos (cf Jo 3, 8). Unindo-se ao termo “Santo”, a expressão passou a designar o “Paráclito”, que significa “aquele que é chamado para estar junto”, o “consolador”.
Embora tenha sido revelado por Jesus, o Espírito Santo mostra-se presente desde antes da criação, quando o “Espírito de Deus pairava sobre as águas” (cf Gn 1,2). Ele atuou falando pelos profetas e inspirando os autores sagrados a escreverem os livros da Bíblia.
A revelação do Espírito Santo se dá aos poucos através de Jesus, que não o revelou plenamente enquanto não foi glorificado por sua morte e ressurreição. Ele dá pistas a Nicodemos, à samaritana do poço de Jacó e, quando chega o momento da sua glorificação, Jesus fala abertamente aos discípulos sobre o “Consolador”, prometendo enviá-lo após sua ressurreição. Na hora de sua morte, Jesus entregou seu Espírito nas mãos do Pai e, após ressurgir, o soprou sobre os discípulos enviando-os em missão.
No dia de Pentecostes a Páscoa de Cristo completou-se com a efusão do Espírito Santo. Neste dia a Trindade revelou-se plenamente e a partir de então o Reino anunciado por Cristo abriu-se a todos os que nele crerem. Com isso o mundo entra nos “últimos tempos”, o tempo da Igreja, no qual o Reino já foi herdado, mas ainda não foi consumado.
É graças à comunhão com o Espírito Santo que os homens podem dar frutos. Pelo amor o Espírito Santo redime os pecados e restitui aos batizados a semelhança divina perdida. A missão de Cristo e do Espírito completa-se na Igreja, pois a partir de Pentecostes os fiéis de Cristo estão associados à comunhão com o Pai no Espírito Santo. É Cristo, pelo sacramento da Igreja, que derrama o Espírito Santo sobre seus membros para alimentá-los, curá-los, organizá-los, enviá-los e associá-los à sua oferta ao Pai.
O Espírito Santo é representado por diversos símbolos, como a água viva que brota de Cristo Crucificado e proporciona um novo nascimento pelo batismo. Outra forma de representá-lo é o óleo utilizado para ungir guerreiros, profetas, sacerdotes e reis e aplicado de maneira figurativa em Jesus, o “Messias”, o “Cristo”, ou seja, o “Ungido” por excelência. Atualmente o óleo do crisma é utilizado na administração dos sacramentos do batismo, da confirmação e da ordem, significando o revestimento pelo Espírito Santo. Também nestes sacramentos manifesta-se a figura do selo, como indicação de seu caráter indelével, dos efeitos irreversíveis que produzem na alma.
O fogo é utilizado como sinal da força e do poder do Espírito, da energia transformadora de seus atos. A nuvem e a luz estiveram presentes na caminhada do povo escolhido pelo deserto rumo à terra prometida, na concepção do Verbo, quando o Espírito do Senhor cobriu Maria com sua sombra e nos momentos da transfiguração e ascensão de Jesus, quando manifestou e ocultou a glória do Filho de Deus. A mão imposta sobre os doentes para curá-los e usada para abençoar as pessoas e administrar os sacramentos também é sinal do Espírito Santo. .
Por fim, talvez o mais conhecido sinal da terceira pessoa da Trindade: a pomba. Ao final do dilúvio é uma pomba que leva a Noé o ramo de oliveira, indício que a Terra é novamente habitável (prefiguração do batismo). Da mesma forma no batismo de Jesus uma pomba desce e paira sobre Ele, revelando nele o poder divino.
Aluisio
Peixoto, consagrado
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